28.07.2017 | Evento PIBID-UFOP e roda de conversa sobre o filme “A escola toma partido”

por Elô Lebourg,

com a contribuição de Henrique Afonso Esteves, Isânia Silva Santos,

Maisa de Freitas e Vera Sales de Souza

 

No dia 28 de julho de 2017, nossa rede participou do Evento PIBID-UFOP, junto com estudantes de Pedagogia e de licenciaturas do Instituto de Ciências Humanas e Sociais, em Mariana. Realizamos duas sessões de exibição do documentário “A escola toma partido”, dirigido por Carlos Pronzato e que você pode ver aqui. As exibições dos filmes foram seguidas de rodas de conversa com os professores Henrique Esteves, Isânia Santos, Maisa de Freitas e Vera Sales. Confiram seus relatos!

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A escola deve enxergar desigualdades onde se acredita, cegamente, na homogeneidade. Também deve, a escola, trabalhar em função da igualdade em lugares onde se acredita que as diferenças provêm de uma ordem natural das coisas. A escola tem potencialidade para se tornar uma ferramenta de transformação social, no entanto, tem sido atribuído a essa instituição apenas o papel da obediência e do ajuste econômico, fato que coloca estudantes, educadores e pesquisadores em estado de alerta.

A ideia da “Escola sem partido”, materializada como forma de projeto de lei, é, sem dúvidas, o maior golpe à educação pública brasileira em seu processo lento de redemocratização. E, se não bastasse seu conteúdo, que carece de fundamento, o avanço do conservadorismo ainda se vangloria por exaltar, como pensadores, aqueles que não têm sequer apreço pelo tema educação.

Fantasiada de medida popular por atores, socialytes e por um patronato que não se utiliza da escola pública para a formação de seus filhos, a ideia de que a escola é um centro de doutrinação da esquerda toma proporções antes desacreditadas, pela sua carência teórica e lógica. Enfim, propício e necessário se faz o estreitamento, ou reestabelecimento, dos laços entre docentes e pesquisadores pela defesa de uma escola pública e pela garantia da formação integral dos seus alunos, o que inclui a exposição do materialismo histórico e dialético, encarado por leigos como “doutrinação marxista”.

Em conjunto com diversas medidas para o retrocesso dos direitos do trabalhador, o professor ainda se vê diante de mais uma atrocidade, a vigilância constante e o processo da legitimação de medidas punitivas contra a classe docente e sua liberdade de pensamento. A defesa desse profissional-educador deve contar, portanto, com esforços provindos de diferentes esferas sociais, principalmente, dos seus próprios alunos, graduandos e da comunidade escolar.

A realização de reuniões de caráter público e democrático deve continuar a produzir uma conscientização ampla para que desmistifiquemos a ideia da “neutralidade”.  A História pode colaborar de maneira substancial, pois não é de hoje que a ideia do “neutro” é financiada por elites dirigentes que disputam as instituições escolares para blindá-las de contestações e mudanças necessárias. Há também outro fator recorrente, a implantação do “pavor social” pelo perigo eminente de um levante comunista. Essas mentiras, muito bem arquitetadas, tornaram-se, e ainda tornam-se, verdades e servem de pressuposto para a instauração de regimes autoritários e impopulares. 

A rede Professores transformadores, então, não produz “soluções”, mas defende e colabora para a ampliação de espaços de debate, de luta e resistência para que essas propostas nasçam com raízes populares. A rede não dita certezas, mas oferece espaço para que diversas compreensões práticas possam compor um tecido político funcional às nossas angústias e que proteja nossas escolas e nossa comprometida soberania nacional.

Henrique Afonso Esteves

Professor e mestre em Educação pela Universidade Federal de Ouro Preto

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Participar de uma conversa como professora na instituição em que me formei foi uma experiência muito especial. Voltar à UFOP, em particular ao ICHS, foi perceber que me tornar professora foi a melhor coisa que fiz. Este foi o momento nostalgia!!!

Agora, o papo foi sério.

Debater com futuros professores sobre o projeto de lei “Escola sem partido” foi trazer um alerta ao real papel do professor. Somos responsáveis por promover a construção do conhecimento na sua integralidade. Cabe ao professor instigar o senso crítico, de análise e da reflexão. O ambiente escolar é o mais propício para essa promoção. “Escola sem partido” é uma escola sem professor, sem aluno, sem conhecimento.

Cumprimento aos organizadores do evento PIBID-UFOP por propiciarem aos futuros professores a oportunidade de refletir sobre sua futura atuação social e agradeço à rede Professores transformadores pelo convite e por poder defender a profissão que tanto amo.

Isânia Silva Santos

Professora de História

A oportunidade de participar de um evento do PIBID como uma professora transformadora contribuiu significativamente para renovar as minhas motivações profissionais ao sentir que o trabalho docente ainda constrói espaços firmes de valorização. A organização séria e dedicada do evento, o convite para falar a respeito de um tema tão importante como o “Escola sem partido” e a forma como fui recebida me enriqueceram profundamente e me fizeram sentir a reciprocidade de pessoas que também optaram pela mesma profissão: ser professor(a). Ao tratar do assunto polêmico retratado no documentário “A escola toma partido”, foi possível compartilhar angústias e incertezas, mas, sobretudo, foi possível compartilhar um apoio mútuo entre os presentes. Isso me leva a crer que a Educação, em espacial a pública, precisa funcionar cada vez mais em rede para sobreviver às agruras políticas e econômicas vividas no tempo presente. Parabéns ao PIBID-UFOP e ao Professores transformadores.

Maisa de Freitas

Professora de Geografia da Educação Básica de Minas Gerais

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Foi uma experiência gratificante participar, representando a rede Professores transformadores, do Ciclo de Palestras, evento organizado pelo PIBID-UFOP. A discussão da temática do projeto “Escola sem partido” é de extrema importância para a toda comunidade escolar, em especial, os educadores e os futuros educadores. Trazer esse assunto mediante a exibição do documentário “A escola toma partido” foi substancialmente vital para uma reflexão do público presente no evento. No que se refere a nós, professores, as prerrogativas desse plano, tão questionável e polêmico, estão ligadas diretamente à nossa prática e vivência escolar. Fiquei impactada ao saber que estudantes de várias áreas da educação estão preocupados com os rumos que esse tema está tomando e sua relevância. É gratificante perceber que, mesmo em meio a este atual contexto sociopolítico dicotômico e contraditório, os educadores estão conseguindo se organizar e compartilhar suas reflexões sobre este assunto. Parabenizo a iniciativa do PIBID-UFOP na escolha do tema e agradeço à rede Professores transformadores pela oportunidade de participar do evento.  

                                                                                  Vera Sales de Souza

                        Professora de História da Rede Municipal de Ensino de Ouro Preto

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