03.05.2019 | Professores transformadores convidam Luana Tolentino para conversar sobre feminismo, antirracismo e inclusão em sala de aula

por Elô Lebourg

No dia 3 de maio de 2019, fizemos nossa segunda participação na III Semana da Leitura, promovida pela Secretaria Municipal de Educação de Ouro Preto e pela Universidade Federal de Ouro Preto, e organizada pela Casa do Professor.

Dessa vez, convidamos a professora Luana Tolentino para refletir sobre a importância de uma prática docente atenta aos principais debates contemporâneos, relacionados à diversidade, à superação de preconceitos e à necessidade de humanizar as relações escolares.

A mesa foi mediada por Luiz Basilio, integrante da rede e estudante de Pedagogia da Universidade Federal de Ouro Preto, e contou com cerca de 250 professoras e professores na plateia. Ao final, fizemos uma sessão de autógrafos do livro de Luana, Outra educação é possível: feminismo, antirracismo e inclusão em sala de aula.

 

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30.04.2019 | Mesa “Professor, mediador da relação afetiva entre literatura e escola”, na III Semana da Leitura: Leitura, conectividade e sustentabilidade

por Elô Lebourg

No dia 30 de abril de 2019, fizemos nossa primeira participação na III Semana da Leitura, promovida pela Secretaria Municipal de Educação de Ouro Preto e pela Universidade Federal de Ouro Preto, e organizada pela Casa do Professor.

Representei nossa rede em uma mesa intitulada “Professor, mediador da relação afetiva entre literatura e escola”, que foi apresentada pela coordenadora da Casa do Professor, Elis Regina Gonçalves, e que também contou com a participação das professoras Ednéia Carla Peixoto Guimarães (Escola Municipal Ana Pereira de Lima) e Andreia Martins (Escola Municipal René Gianetti).

Nessa mesa, a proposta era promover um diálogo entre as professoras Ednéia e Andreia, que relataram projetos exitosos na área de Literatura desenvolvidos nas escolas onde atuam, e nossa rede, que publica, desde 2015, textos de professores colunistas. Nossa ideia foi apresentar o trabalho realizado pela nossa rede e convidar mais professores da região a escreverem sobre suas práticas em sala de aula. Temos entendido, com essa experiência das colunas com professores, que a valorização docente também passa por aí: por um olhar cuidadoso sobre nossa prática e sobre a possibilidade de registrá-la por escrito e de compartilhá-la com outros professores que, certamente, vivem desafios em sua prática muito parecidos com os nossos!

Fotos da Mônica Nepomuceno

18.03.2019 | Roda de conversa sobre os caminhos de uma educação democrática no Brasil, na I Semana de Integração do curso de História da Universidade Federal de Ouro Preto

por Elô Lebourg

No dia 18 de março de 2019, eu e a professora Maura Britto participamos de uma roda de conversa que discutiu possíveis caminhos para uma educação democrática no Brasil. O convite foi feito pelos estudantes que compõem o Centro Acadêmico do curso de História da Universidade Federal de Ouro Preto, Gestão Marielle Franco, em Mariana-MG.

Nesta roda, nos encontramos com cerca de 40 estudantes, calouros e veteranos, dos cursos de História, Letras, Pedagogia, Serviço Social e Economia. Nossa conversa abordou a estrutura do ensino regular, que tem trazido grandes desafios para o professor, sobretudo na Educação Básica. Também analisamos as dificuldades de acesso a uma educação que atenda às necessidades e expectativas dos alunos, assim como a falta de garantia de estrutura e de condições de trabalho adequadas aos professores.

Juntos, indagamos: como atuar de forma a promover uma escolarização que rompa os limites da sala de aula? Como reavaliar a prática docente, condignamente? Como conciliar normas e processos avaliativos presentes na educação regular, pensando o papel do professor e sua atuação?

E propusemos dois caminhos, possíveis para todos nós, desde já: o da necessária aproximação entre teoria (na universidade) e prática (na escola), e o da valorização docente. Nesta roda, tentamos implicar ainda mais os estudantes que conversaram com a gente no cuidado com sua própria formação acadêmica, aproximada dos espaços escolares onde certamente atuarão, e sobre a importância de, também eles, valorizarem seus professores.

Foi um encontro leve e potente, em que saímos transformados uns pelos outros e tentando perceber que, para cada angústia que a Educação tem nos trazido, juntos, somos capazes de encontrar muitos caminhos de superação.

 

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Fotos do Douglas Bernardes

26.10.2017 | Lançamento do livro Nós, Professores transformadores: olhares sobre protagonismo e valorização docente no XI SIMPOED

por Elô Lebourg

Como muitos professores de nossa rede participaram ativamente do XI SIMPOED – Simpósio de Formação e Profissão Docente, promovido pelo Departamento de Educação da Universidade Federal de Ouro Preto, aproveitamos a oportunidade para lançar, dessa vez em Mariana-MG, o livro Nós, professores transformadores: olhares sobre protagonismo e valorização docente. No lançamento coletivo promovido pelo Simpósio na noite de 26 de outubro de 2017, apresentamos nossa rede e o livro para os estudantes e professores que participaram do evento.

26.10.2017 | Relato de experiência sobre a rede Professores transformadores no XI SIMPOED

por Valdete Fernandes

É sempre uma satisfação falar da rede Professores transformadores. Apresentamos, no XI SIMPOED – Simpósio de Formação e Profissão Docente, promovido pelo Departamento de Educação da Universidade Federal de Ouro Preto, por meio de um relato de experiências intitulado A rede Professores transformadores: compartilhando saberes e experiências, o trabalho que temos realizado desde a criação da rede, em 2015. Entre os nossos colegas e ouvintes, estudantes de graduação, percebemos a aceitação da proposta e a necessidade de pensarmos, coletivamente, possibilidades de valorização docente. Destacamos o crescimento da rede e o fortalecimento de suas ações, tanto no que se refere às iniciativas digitais quanto às presenciais. Por fim, enfatizamos a importância do compromisso ético e político com a docência, a necessidade da formação continuada, do trabalho coletivo e da reflexão crítica sobre a profissão. Percebemos que, a cada encontro como esse, a rede conquista mais adeptos e se fortalece em busca de uma educação mais bonita para todos.

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Fotos da Júlia Paixão

25.10.2017 | Roda de conversa sobre trajetórias de professoras

por Cristina Assis, Elô Lebourg, Laura Rocha e Valdete Fernandes

No dia 25 de outubro de 2017, nossa rede participou do XI SIMPOED – Simpósio de Formação e Profissão Docente, promovido pelo Departamento de Educação da Universidade Federal de Ouro Preto. Fizemos uma roda de conversa sobre formação e prática docente a partir da trajetória de três professoras transformadoras: Cristina Assis, Laura Rocha e Valdete Fernandes.

Confiram seus relatos!

Cristina Assis, professora de História e mestra em Educação:

“Ser professor é uma ‘missão’!

Nesta última edição do XI SIMPOED, tive a honra de participar, ao lado de outras professoras, de uma roda de conversa sobre a profissão docente. A ideia, oriunda da rede Professores transformadores, visava demonstrar diferentes perspectivas a partir de diversos olhares sobre a condição docente, indo além das utopias e idealizações atribuídas ao professor na contemporaneidade. Assim, a conversa girou em torno dos desafios em se manter na profissão, em buscar novos espaços e novas oportunidades e em ser reconhecido em tempos cada vez mais mercadológicos.

Nesse sentido, particularmente ao longo do meu relato, busquei evidenciar parte da difícil trajetória entre graduação e mestrado, em que notava as lacunas entre academia e educação básica, duas áreas muito distintas. Contudo, a sensação de realização ao enfrentar esse desafio tem sido parte de cada amanhecer em uma busca incessante por ensinar/educar cidadãos carentes de uma educação que ultrapasse a sala de aula.

Mas não para por aí. Me vi no máximo esgotamento ao lecionar em cinco instituições ao mesmo tempo e não pude deixar de dissertar sobre o fato já que nos atribuem a ‘missão’ ou o ‘dom’ de educar. Nossas realidades financeiras não nos diferem dos demais profissionais e nossas demandas socioeconômicas muito menos. Por isso, fala-se tanto em ‘desvalorização’ do professor.

Não fossem as redes de apoio, como os Professores transformadores, seríamos mais um dentre tantos outros a serem acometidos pelas mazelas da profissão e a se culpar por escolher a profissão que tanto nos alertaram contra. Mas seguimos na luta e encaramos os desafios ao lado uns dos outros. Acreditamos que assumimos uma responsabilidade além do comum quando compreendemos o que é, de fato, educação.”

Laura Rocha, professora de Educação Física e mestra em Educação:

“No dia 25 de outubro de 2017, tive a grata satisfação de participar de um relato de experiências organizado pela rede Professores transformadores durante o XI SIMPOED. Éramos três professoras disponíveis para compartilhar nossas experiências com outros(as) professores(as) atuantes ou em formação. Para a minha fala, pensei em dois momentos: explicitar os motivos da minha escolha pela docência (passando pela escolha do curso e as transformações de visão de mundo ao longo da graduação) e dizer das minhas condições de trabalho hoje, que favorecem uma boa docência. Ao longo da fala, percebi que faltava um elo entre a saída da universidade e a consolidação no exercício da profissão e a rede Professores transformadores ‘caiu como uma luva’ para dizer desse elo. Dessa forma, percebi que nossa presença no evento, dialogando com um público majoritariamente de professoras em formação, pode ter sido bastante significativa para as participantes, tanto quanto foi para mim. Infelizmente, não consegui estar presente até o final da fala das colegas e no momento dos questionamentos e comentários do público, mas devo dizer que foi revigorante revisitar minha história e trocar com outras professoras transformadoras.”

Valdete Fernandes, professora da Educação Infantil e mestranda em Educação:

“Entre as programações do XI SIMPOED, realizamos uma roda de conversa a partir do tema trajetórias de professoras desenvolvida pela rede Professores transformadores em parceria com a organização do evento. Destacamos os motivos da escolha da docência e, ao mesmo tempo, as alegrias e os desafios da profissão. Com a participação de estudantes de graduação e de professores da Educação Básica, refletimos sobre as representações sociais em torno da profissão docente. Enfatizamos a necessidade de buscarmos novas estratégias de formação continuada que nos auxiliem a enfrentar as dificuldades sociais que perpassam a sala de aula, especialmente em tempos tão temerosos. Uma dessas possibilidades é o trabalho em rede que, a partir da valorização do coletivo, destaca a importância da troca de experiências e saberes para o fortalecimento profissional docente. O debate sobre as trajetórias de professoras foi muito rico por promover uma reflexão coletiva entre profissionais que atuam em segmentos distintos. Mesmo atuantes em realidades tão diversas (e, talvez, exatamente por isso), podem contribuir mutuamente com a formação uns dos outros. Aprender com o outro, aprender juntos. Esse é um dos aspectos que mais me encanta na profissão. Por fim, deixo o meu agradecimento à rede Professores transformadores e à organização do XI Simpoed pela oportunidade, assim como às colegas Cristina Assis, Laura Rocha e Elô Lebourg pelas trocas compartilhadas.”

29.09.2017 | Cinema comentado sobre experiências inovadoras na educação (ICHS/UFOP)

por Elô Lebourg

com a contribuição de Marileny Martins

No dia 29 de setembro de 2017, nossa rede participou da VII Semana de Integração promovida pelo Instituto de Ciências Sociais Aplicadas e pelo Instituto de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Federal de Ouro Preto, em Mariana-MG. A proposta do evento foi dar as boas-vindas aos calouros e oferecer-lhes um primeiro contato com a universidade por meio de participação em atividades artísticas e esportivas, palestras, saraus, rodas de conversa etc.

No evento, exibimos dois filmes:

Como é a escola inovadora? é fruto do projeto Nossa escola em (re)construção, desenvolvido pela MOVA e pelo Porvir. Nesse filme, que tem duração de pouco mais de dois minutos, alguns estudantes participantes do projeto falam sobre como é a escola de seus sonhos.

Em seguida, exibimos um TEDxUnisinos protagonizado pelo professor José Pacheco, criador da Escola da Ponte, em Portugal, e que desenvolve projetos similares no Brasil. Em sua fala para o TED, o professor discorreu sobre a natureza “engessada” das práticas escolares e sobre possibilidades de superação dos problemas que ela ainda enfrenta atualmente.

A roda de conversa realizada após a exibição dos dois filmes foi mediada por mim e pela professora Marileny Martins. Também contamos com a participação de duas professoras do Departamento de Educação da UFOP, Fernanda Rodrigues e Liliane Jorge. Nessa roda, conversamos com estudantes calouros e veteranos dos cursos de Pedagogia, Letras e História.

Ao longo do nosso bate-papo, falamos sobre o papel (e o poder) do professor diante de um cotidiano escolar que, muitas vezes, deixa de lado os saberes dos alunos, que os trata de forma fria e até mesmo cruel. Conversamos sobre a necessidade de uma educação mais humanizada, que tenha sentido para os estudantes e para os professores.

Confira o relato da professora Marileny Martins sobre nossa participação:

“A experiência na roda de conversa com os estudantes dos cursos de Pedagogia, Letras e História, durante a Semana da Integração, despertou em mim a relevância desses momentos de diálogo com os nossos alunos, seja na escola ou na universidade. O que eles buscam? Isso edifica minha prática profissional e/ou me torna um ser humano mais sensível, curioso, empático, envolvido, comprometido?

Tenho aprendido, por meio de minhas experiências pessoais, que sim. Cada pessoa entra em nossa vida trazendo oportunidades para que aprendamos com elas, se nos tornarmos abertos para isso. Muito têm a nos ensinar com seus saberes, suas histórias de vida, suas expectativas de futuro. Querem e precisam ser ouvidas e, mais, compreendidas, acolhidas, respeitadas em suas diferenças. Buscam experimentar o desconhecido, mas, sem que seja desconsiderado o que já conhecem e sentem. Querem aprender o novo, porém relevante para suas vidas. Buscam oportunidades para se desenvolverem, tornando-se melhores cidadãos para que possam contribuir com sua comunidade.

Durante a discussão, um ponto crucial que surgia, a todo instante, era a importância que um professor apaixonado por ensinar desempenhou (ou desempenharia) em suas vidas e, como um incentivo, um reconhecer seus potenciais para aprender, pode determinar um destino (e a recíproca pode ser verdadeira!). Esses profissionais, incentivadores, sensíveis às suas demandas, os influenciaram e despertaram neles o anseio por fazer a diferença na vida de seus futuros alunos. Tais vivências pessoais, ao longo de suas trajetórias como estudantes da escola regular, plantaram sonhos. Sonhos de serem professores incentivadores, transformadores de destinos.

O que ficou dessa experiência? A importância do nosso papel e de nossas concepções de ensino. Ou seja, como percebemos a profissão, o ensino e a aprendizagem se tornam pilares para que nossa prática pedagógica influencie a vida de outra pessoa.

Ao longo do diálogo, uma lembrança me inquietava. Há alguns anos, durante um estágio de regência que realizei, enquanto estava na Licenciatura em Matemática, numa escola com muitos alunos de classe baixa, comentei com alguns do 3º ano do Ensino Médio que a universidade local abriria seleção. Obtive como resposta de uma aluna: Aquilo lá não é para nós, não! Essa lembrança me vinha à memória e, embora não fossem meus alunos, me perguntava em qual instante da vida deles passaram a acreditar naquilo. Estive pouco tempo com eles, mas percebi que eram alunos muito bons! Em sua maioria, estudavam pela manhã e trabalhavam à tarde.

Essa lembrança fez com que o momento me proporcionasse um rico aprendizado. Percebi o quanto nós, que tivemos a oportunidade de cursar um Ensino Superior, podemos contribuir, reconhecendo, acreditando e incentivando esse potencial, valorizando as diferenças, oferecendo oportunidades para que possam aprender. E isso pode fazer a diferença!”

30.08.2017 | Lançamento do livro “Nós, professores transformadores” em Recife

por Elô Lebourg

No dia 30 de agosto de 2017, participamos do lançamento coletivo da Pipa, nossa editora, em Recife-PE!

Apresentamos o livro Nós, professores transformadores: olhares sobre protagonismo e valorização docente junto com outras duas obras também publicadas pela editora:

Conectando saberes na escola. Linguística, Literatura, Educação e ensino de Línguas: reflexões, relatos e propostas de atividades (organizada por Adeilson Pinheiro Sedrins e por Marcelo Amorim Sibaldo)

Processos de pesquisa em linguagem, gênero e sexualidade e (questões de) masculinidades (de Ismar Inácio dos Santos Filho)

O lançamento aconteceu na Livraria da Jaqueira e, nele, eu, Marcelo e Ismar apresentamos ao público os nossos livros e o que motivou nossa escrita.

Foi um momento de aprender uns com os outros, de conhecer novos trabalhos publicados pela nossa editora e de apresentar a rede para professores e leitores de Pernambuco! Um sinal de que há muitas pessoas conectadas em torno dessa ideia de que a transformação da sociedade se dará, também, pela educação e pela atuação dos professores!

Fotos da Karla Vidal | Pipa Comunicação

Fotos da Gabriela Farias

25.08.2017 | Palestra “O professor como protagonista das políticas públicas de Educação”

por Elô Lebourg

No dia 25 de agosto de 2017, a convite da Vanessa Cavalcante | Consultoria & Eventos Educacionais, proferi uma palestra para cerca de 150 estudantes de Pedagogia e professores, em Vila Velha-ES.

Intitulada O professor como protagonista das políticas públicas de Educação, o objetivo dessa fala foi apresentar as principais legislações da área educacional, da Constituição Federal (1998) à Base Nacional Comum Curricular (a ser aprovada em 2017), e promover uma discussão a respeito de como o professor pode compreendê-las para usá-las a favor de uma prática crítica e reflexiva.

Partindo de uma perspectiva comum à nossa rede, defendemos, nessa fala, a importância dos professores exercerem uma atuação profissional coerente e de lutarem pela garantia de uma formação inicial e continuada de qualidade, uma responsabilidade deles mesmos e também do Estado.

Ao final, aproveitamos para lançar o livro Nós, professores transformadores: olhares sobre protagonismo e valorização docente.

Esta foi a primeira ação dos Professores transformadores efetivamente fora de Minas Gerais. Foi uma noite bonita e memorável: um evento com a participação de muitas pessoas atentas à discussão e à proposta da nossa rede!

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28.07.2017 | Evento PIBID-UFOP e roda de conversa sobre o filme “A escola toma partido”

por Elô Lebourg,

com a contribuição de Henrique Afonso Esteves, Isânia Silva Santos,

Maisa de Freitas e Vera Sales de Souza

 

No dia 28 de julho de 2017, nossa rede participou do Evento PIBID-UFOP, junto com estudantes de Pedagogia e de licenciaturas do Instituto de Ciências Humanas e Sociais, em Mariana. Realizamos duas sessões de exibição do documentário “A escola toma partido”, dirigido por Carlos Pronzato e que você pode ver aqui. As exibições dos filmes foram seguidas de rodas de conversa com os professores Henrique Esteves, Isânia Santos, Maisa de Freitas e Vera Sales. Confiram seus relatos!

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A escola deve enxergar desigualdades onde se acredita, cegamente, na homogeneidade. Também deve, a escola, trabalhar em função da igualdade em lugares onde se acredita que as diferenças provêm de uma ordem natural das coisas. A escola tem potencialidade para se tornar uma ferramenta de transformação social, no entanto, tem sido atribuído a essa instituição apenas o papel da obediência e do ajuste econômico, fato que coloca estudantes, educadores e pesquisadores em estado de alerta.

A ideia da “Escola sem partido”, materializada como forma de projeto de lei, é, sem dúvidas, o maior golpe à educação pública brasileira em seu processo lento de redemocratização. E, se não bastasse seu conteúdo, que carece de fundamento, o avanço do conservadorismo ainda se vangloria por exaltar, como pensadores, aqueles que não têm sequer apreço pelo tema educação.

Fantasiada de medida popular por atores, socialytes e por um patronato que não se utiliza da escola pública para a formação de seus filhos, a ideia de que a escola é um centro de doutrinação da esquerda toma proporções antes desacreditadas, pela sua carência teórica e lógica. Enfim, propício e necessário se faz o estreitamento, ou reestabelecimento, dos laços entre docentes e pesquisadores pela defesa de uma escola pública e pela garantia da formação integral dos seus alunos, o que inclui a exposição do materialismo histórico e dialético, encarado por leigos como “doutrinação marxista”.

Em conjunto com diversas medidas para o retrocesso dos direitos do trabalhador, o professor ainda se vê diante de mais uma atrocidade, a vigilância constante e o processo da legitimação de medidas punitivas contra a classe docente e sua liberdade de pensamento. A defesa desse profissional-educador deve contar, portanto, com esforços provindos de diferentes esferas sociais, principalmente, dos seus próprios alunos, graduandos e da comunidade escolar.

A realização de reuniões de caráter público e democrático deve continuar a produzir uma conscientização ampla para que desmistifiquemos a ideia da “neutralidade”.  A História pode colaborar de maneira substancial, pois não é de hoje que a ideia do “neutro” é financiada por elites dirigentes que disputam as instituições escolares para blindá-las de contestações e mudanças necessárias. Há também outro fator recorrente, a implantação do “pavor social” pelo perigo eminente de um levante comunista. Essas mentiras, muito bem arquitetadas, tornaram-se, e ainda tornam-se, verdades e servem de pressuposto para a instauração de regimes autoritários e impopulares. 

A rede Professores transformadores, então, não produz “soluções”, mas defende e colabora para a ampliação de espaços de debate, de luta e resistência para que essas propostas nasçam com raízes populares. A rede não dita certezas, mas oferece espaço para que diversas compreensões práticas possam compor um tecido político funcional às nossas angústias e que proteja nossas escolas e nossa comprometida soberania nacional.

Henrique Afonso Esteves

Professor e mestre em Educação pela Universidade Federal de Ouro Preto

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Participar de uma conversa como professora na instituição em que me formei foi uma experiência muito especial. Voltar à UFOP, em particular ao ICHS, foi perceber que me tornar professora foi a melhor coisa que fiz. Este foi o momento nostalgia!!!

Agora, o papo foi sério.

Debater com futuros professores sobre o projeto de lei “Escola sem partido” foi trazer um alerta ao real papel do professor. Somos responsáveis por promover a construção do conhecimento na sua integralidade. Cabe ao professor instigar o senso crítico, de análise e da reflexão. O ambiente escolar é o mais propício para essa promoção. “Escola sem partido” é uma escola sem professor, sem aluno, sem conhecimento.

Cumprimento aos organizadores do evento PIBID-UFOP por propiciarem aos futuros professores a oportunidade de refletir sobre sua futura atuação social e agradeço à rede Professores transformadores pelo convite e por poder defender a profissão que tanto amo.

Isânia Silva Santos

Professora de História

A oportunidade de participar de um evento do PIBID como uma professora transformadora contribuiu significativamente para renovar as minhas motivações profissionais ao sentir que o trabalho docente ainda constrói espaços firmes de valorização. A organização séria e dedicada do evento, o convite para falar a respeito de um tema tão importante como o “Escola sem partido” e a forma como fui recebida me enriqueceram profundamente e me fizeram sentir a reciprocidade de pessoas que também optaram pela mesma profissão: ser professor(a). Ao tratar do assunto polêmico retratado no documentário “A escola toma partido”, foi possível compartilhar angústias e incertezas, mas, sobretudo, foi possível compartilhar um apoio mútuo entre os presentes. Isso me leva a crer que a Educação, em espacial a pública, precisa funcionar cada vez mais em rede para sobreviver às agruras políticas e econômicas vividas no tempo presente. Parabéns ao PIBID-UFOP e ao Professores transformadores.

Maisa de Freitas

Professora de Geografia da Educação Básica de Minas Gerais

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Foi uma experiência gratificante participar, representando a rede Professores transformadores, do Ciclo de Palestras, evento organizado pelo PIBID-UFOP. A discussão da temática do projeto “Escola sem partido” é de extrema importância para a toda comunidade escolar, em especial, os educadores e os futuros educadores. Trazer esse assunto mediante a exibição do documentário “A escola toma partido” foi substancialmente vital para uma reflexão do público presente no evento. No que se refere a nós, professores, as prerrogativas desse plano, tão questionável e polêmico, estão ligadas diretamente à nossa prática e vivência escolar. Fiquei impactada ao saber que estudantes de várias áreas da educação estão preocupados com os rumos que esse tema está tomando e sua relevância. É gratificante perceber que, mesmo em meio a este atual contexto sociopolítico dicotômico e contraditório, os educadores estão conseguindo se organizar e compartilhar suas reflexões sobre este assunto. Parabenizo a iniciativa do PIBID-UFOP na escolha do tema e agradeço à rede Professores transformadores pela oportunidade de participar do evento.  

                                                                                  Vera Sales de Souza

                        Professora de História da Rede Municipal de Ensino de Ouro Preto

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