28.07.2017 | Evento PIBID-UFOP e roda de conversa sobre o filme “A escola toma partido”

por Elô Lebourg,

com a contribuição de Henrique Afonso Esteves, Isânia Silva Santos,

Maisa de Freitas e Vera Sales de Souza

 

No dia 28 de julho de 2017, nossa rede participou do Evento PIBID-UFOP, junto com estudantes de Pedagogia e de licenciaturas do Instituto de Ciências Humanas e Sociais, em Mariana. Realizamos duas sessões de exibição do documentário “A escola toma partido”, dirigido por Carlos Pronzato e que você pode ver aqui. As exibições dos filmes foram seguidas de rodas de conversa com os professores Henrique Esteves, Isânia Santos, Maisa de Freitas e Vera Sales. Confiram seus relatos!

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A escola deve enxergar desigualdades onde se acredita, cegamente, na homogeneidade. Também deve, a escola, trabalhar em função da igualdade em lugares onde se acredita que as diferenças provêm de uma ordem natural das coisas. A escola tem potencialidade para se tornar uma ferramenta de transformação social, no entanto, tem sido atribuído a essa instituição apenas o papel da obediência e do ajuste econômico, fato que coloca estudantes, educadores e pesquisadores em estado de alerta.

A ideia da “Escola sem partido”, materializada como forma de projeto de lei, é, sem dúvidas, o maior golpe à educação pública brasileira em seu processo lento de redemocratização. E, se não bastasse seu conteúdo, que carece de fundamento, o avanço do conservadorismo ainda se vangloria por exaltar, como pensadores, aqueles que não têm sequer apreço pelo tema educação.

Fantasiada de medida popular por atores, socialytes e por um patronato que não se utiliza da escola pública para a formação de seus filhos, a ideia de que a escola é um centro de doutrinação da esquerda toma proporções antes desacreditadas, pela sua carência teórica e lógica. Enfim, propício e necessário se faz o estreitamento, ou reestabelecimento, dos laços entre docentes e pesquisadores pela defesa de uma escola pública e pela garantia da formação integral dos seus alunos, o que inclui a exposição do materialismo histórico e dialético, encarado por leigos como “doutrinação marxista”.

Em conjunto com diversas medidas para o retrocesso dos direitos do trabalhador, o professor ainda se vê diante de mais uma atrocidade, a vigilância constante e o processo da legitimação de medidas punitivas contra a classe docente e sua liberdade de pensamento. A defesa desse profissional-educador deve contar, portanto, com esforços provindos de diferentes esferas sociais, principalmente, dos seus próprios alunos, graduandos e da comunidade escolar.

A realização de reuniões de caráter público e democrático deve continuar a produzir uma conscientização ampla para que desmistifiquemos a ideia da “neutralidade”.  A História pode colaborar de maneira substancial, pois não é de hoje que a ideia do “neutro” é financiada por elites dirigentes que disputam as instituições escolares para blindá-las de contestações e mudanças necessárias. Há também outro fator recorrente, a implantação do “pavor social” pelo perigo eminente de um levante comunista. Essas mentiras, muito bem arquitetadas, tornaram-se, e ainda tornam-se, verdades e servem de pressuposto para a instauração de regimes autoritários e impopulares. 

A rede Professores transformadores, então, não produz “soluções”, mas defende e colabora para a ampliação de espaços de debate, de luta e resistência para que essas propostas nasçam com raízes populares. A rede não dita certezas, mas oferece espaço para que diversas compreensões práticas possam compor um tecido político funcional às nossas angústias e que proteja nossas escolas e nossa comprometida soberania nacional.

Henrique Afonso Esteves

Professor e mestre em Educação pela Universidade Federal de Ouro Preto

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Participar de uma conversa como professora na instituição em que me formei foi uma experiência muito especial. Voltar à UFOP, em particular ao ICHS, foi perceber que me tornar professora foi a melhor coisa que fiz. Este foi o momento nostalgia!!!

Agora, o papo foi sério.

Debater com futuros professores sobre o projeto de lei “Escola sem partido” foi trazer um alerta ao real papel do professor. Somos responsáveis por promover a construção do conhecimento na sua integralidade. Cabe ao professor instigar o senso crítico, de análise e da reflexão. O ambiente escolar é o mais propício para essa promoção. “Escola sem partido” é uma escola sem professor, sem aluno, sem conhecimento.

Cumprimento aos organizadores do evento PIBID-UFOP por propiciarem aos futuros professores a oportunidade de refletir sobre sua futura atuação social e agradeço à rede Professores transformadores pelo convite e por poder defender a profissão que tanto amo.

Isânia Silva Santos

Professora de História

A oportunidade de participar de um evento do PIBID como uma professora transformadora contribuiu significativamente para renovar as minhas motivações profissionais ao sentir que o trabalho docente ainda constrói espaços firmes de valorização. A organização séria e dedicada do evento, o convite para falar a respeito de um tema tão importante como o “Escola sem partido” e a forma como fui recebida me enriqueceram profundamente e me fizeram sentir a reciprocidade de pessoas que também optaram pela mesma profissão: ser professor(a). Ao tratar do assunto polêmico retratado no documentário “A escola toma partido”, foi possível compartilhar angústias e incertezas, mas, sobretudo, foi possível compartilhar um apoio mútuo entre os presentes. Isso me leva a crer que a Educação, em espacial a pública, precisa funcionar cada vez mais em rede para sobreviver às agruras políticas e econômicas vividas no tempo presente. Parabéns ao PIBID-UFOP e ao Professores transformadores.

Maisa de Freitas

Professora de Geografia da Educação Básica de Minas Gerais

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Foi uma experiência gratificante participar, representando a rede Professores transformadores, do Ciclo de Palestras, evento organizado pelo PIBID-UFOP. A discussão da temática do projeto “Escola sem partido” é de extrema importância para a toda comunidade escolar, em especial, os educadores e os futuros educadores. Trazer esse assunto mediante a exibição do documentário “A escola toma partido” foi substancialmente vital para uma reflexão do público presente no evento. No que se refere a nós, professores, as prerrogativas desse plano, tão questionável e polêmico, estão ligadas diretamente à nossa prática e vivência escolar. Fiquei impactada ao saber que estudantes de várias áreas da educação estão preocupados com os rumos que esse tema está tomando e sua relevância. É gratificante perceber que, mesmo em meio a este atual contexto sociopolítico dicotômico e contraditório, os educadores estão conseguindo se organizar e compartilhar suas reflexões sobre este assunto. Parabenizo a iniciativa do PIBID-UFOP na escolha do tema e agradeço à rede Professores transformadores pela oportunidade de participar do evento.  

                                                                                  Vera Sales de Souza

                        Professora de História da Rede Municipal de Ensino de Ouro Preto

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23 a 26.05.2017 | Segunda Mostra de Filmes sobre Professores transformadores

por Elô Lebourg

De 23 a 26 de maio de 2017, promovemos a Segunda Mostra de Filmes sobre Professores transformadores, em parceira com o Cine Vila Rica, em Ouro Preto. Nossa proposta foi exibir filmes que abordavam a prática docente e, em seguida, conversar sobre eles em rodas de conversa com professores e estudantes.

Assim, no dia 23, iniciamos a mostra com a exibição do filme “Ao mestre, com carinho”. Na primeira roda, mediada pelos professores Doan Cruz e Valdete Fernandes, conversamos sobre a (falta de) acolhida aos professores novatos, sobre as dificuldades de se conciliar uma formação humana e curricular nas escolas e sobre a importância do diálogo entre professores e alunos.

No dia 24, foi a vez de exibirmos o filme francês “Entre os muros da escola”. Na roda de conversa, mediada por mim e pela professora Bruna Monalisa, discutimos, entre outros assuntos, sobre as relações de poder que se estabelecem entre professores e alunos. Nos perguntamos: Professores, quando erram, se desculpam? Professores tendem a eleger seus alunos “favoritos”? Qual o papel do professor na manutenção ou no combate das desigualdades sociais em sala de aula?

Na terceira noite da mostra, exibimos o documentário “A educação proibida”. Nessa noite, a conversa, mediada pelas professoras Elke Pena e Cláudia Coimbra, se voltou para a educação amorosa, vocação e formação docente. Também falamos sobre as relações de poder em sala de aula e sobre a importância de uma atuação coerente por parte dos professores.

“O milagre de Anna Sullivan” foi exibido no dia 26 e o debate foi mediado por mim e por Cláudia Coimbra. Na última noite da mostra, além de termos, coletivamente, avaliado o evento, conversamos sobre a inclusão e a necessidade de formação constante do professor para que saiba, de fato, lidar com a diversidade na sala de aula.

Ao longo de suas quatro noites, a Segunda Mostra de Filmes da rede foi marcada por uma interação proveitosa entre aqueles que participaram das rodas de conversa. Propor um espaço para refletir e dialogar sobre o cotidiano docente ainda é um privilégio para poucos, mas esperamos, com mais esse evento da rede Professores transformadores, continuar criando uma cultura em torno do tema!

Agradecimentos especiais

Nós, da rede Professores transformadores, estamos profundamente agradecidos a todos os participantes da mostra! As noites geladas de Ouro Preto, sabemos, foram um desafio e, ainda assim, as rodas de conversa aconteceram cheias de professores e estudantes interessados em uma prática docente reflexiva e engajada! Obrigado!

A equipe do Cine Vila Rica, mais uma vez, nos acolheu com simpatia e cuidado! Lâne, Eva, Cláudio, Luiz, Lia, Luciana, Kaio, Maritsa, Lucas, Marcos, Douglas e Ramon: obrigado por tudo! Vocês são ótimos!!

16.12.2016 | Lançamento do livro “Nós, professores transformadores: olhares sobre protagonismo e valorização docente”

por Elô Lebourg

com a colaboração de Doan Cruz, Valdete Fernandes,

Fernanda Castro e Daiane Mendes

Ao longo de 2015, nossos colunistas publicaram cerca de 120 textos no site da rede Professores transformadores. Como, a cada leitura, era perceptível a qualidade e o potencial de reflexão de cada publicação, surgiu a ideia de organizar parte desse material em um livro.

Assim, reunimos os textos de cinco colunistas – eu, Doan Ricardo Cruz (que organizou junto comigo este primeiro volume), Daiane Mendes, Valdete Fernandes e Fernanda Castro – e surgiu o livro Nós, professores transformadores: olhares sobre protagonismo e valorização docente.

Organizado em cinco capítulos e fruto de nossa experiência como professores, o livro apresenta nossas reflexões a respeito da importância da formação continuada e do diálogo. Narra também algumas experiências, “mancadas” e desafios relacionados às nossas carreiras como professores.

O lançamento de nosso primeiro livro aconteceu no dia 16 de dezembro de 2016, no Setor Educativo do Museu da Inconfidência, em Ouro Preto. Durante o evento, apresentamos o livro, por meio de uma roda de conversa, aos nossos familiares, amigos e parceiros da rede.

Esta noite foi memorável! Um momento de celebrar o lançamento de um livro escrito por professores e de perceber o poder que temos, especialmente unidos como rede! Também tivemos a oportunidade de aprender uns com os outros, através de nossos relatos. Ouvir os convidados, receber seus sorrisos e abraços foi bom demais! Em meio a um ano tão problemático para a educação brasileira, lançar este livro nos fez perceber que há muita gente engajada, lutando junto por um mundo melhor e mais justo.

Para adquirir nosso livro, clique aqui!

Mais do que um lançamento de livro, as trocas e conversas de sexta-feira possibilitaram um momento formativo fascinante! Compartilhar experiências transformadoras e debater formas de resistência e de coragem ajudou a despertar o brilho nos olhos de cada um de nós, fortalecendo a esperança na educação transformadora. (Doan Cruz)

Não podia ser diferente. O lançamento do livro Professores transformadores: olhares sobre protagonismo e valorização docente, promovido pela rede Professores transformadores, foi um sucesso! Um momento lindo de aprendizado e de troca que coroou o trabalho de uma equipe engajada e comprometida com a educação. Que o livro promova a reflexão, o debate e a esperança! (Valdete Fernandes)

No lançamento do livro, ao compartilhar as nossas experiências como colunistas ao longo do ano de 2015, foi, ao mesmo tempo, mostrar o que “tecemos” como professores na sala de aula. O livro materializa e, de certa forma, eterniza os nossos aprendizados. Além disso, ele incentiva reafirmarmos o nosso compromisso com a profissão docente e, principalmente, ressignificar a nossa esperança para continuarmos seguindo nos caminhos da educação. O livro é, pra mim, um abraço da esperança! (Daiane Mendes)

Tem sido uma experiência muito rica reunir as colunas sobre educação da rede Professores transformadores em livro. Sinto que é uma oportunidade de as opiniões sobre diversos temas ligados ao Magistério alcançarem outros professores, inspirando-os a ter uma prática transformadora. Além disso, quando as ideias sobre a experiência de ser professor circulam, os laços entre os educadores se estreitam, assim como o isolamento dos educadores. Nós, professores transformadores, estamos aprendendo com esse livro uma nova forma de exercitar o conceito de uma rede em favor da educação. (Fernanda Castro)

Fotos do Jackson Santos

Agradecimentos

Celia Maria Fernandes Nunes, pelo prefácio

Renata Sbrogio, pela arte da capa

Nárllen Advíncula, pela revisão textual

Karla Vidal e Augusto Noronha, da Pipa Comunicação, pela diagramação, impressão e vendas online

Christine Ferreira Azzi, Jackson Santos, Darlan de Freitas, João Pedro, Cláudia Klock, Cláudio e Fernando, do Museu da Inconfidência, pela acolhida no lançamento

Solange Mol, pela venda dos livros durante o lançamento

Lia e funcionárias da Fascinação Festas e Eventos, pelo lanche do lançamento

Flávia Alves, do Portal Ouro Preto, pela divulgação

Tino Ansaloni e João Paulo Teluca Silva, do Jornal Voz Ativa, pela divulgação

Sidiney Gomes, do Portal Mariana, pela divulgação

1º.12.2016 | Nós no Ocupa Padre Afonso: montagem de exposição de fotos

por Elô Lebourg

No dia 25 de novembro de 2016, nossa rede participou de uma ação na ocupação da Escola Estadual Padre Afonso Lemos, em Cachoeira do Campo, distrito de Ouro Preto. Naquele dia, conversamos sobre arquitetura escolar (procurando refletir sobre a relação entre a delimitação do espaço e a expectativa de comportamento dos seus usuários visando a uma determinada concepção educativa disciplinadora) e, em seguida, propusemos que os estudantes fotografassem, na escola, aquilo que fosse mais significativo para cada um.

As fotos ficaram lindas e já foram publicadas aqui e, como combinamos, Fernanda Tropia e eu retornamos à escola hoje para montar uma exposição com algumas delas! Escolhemos as pilastras da escadaria que leva às salas de aula, atualmente usadas como dormitórios dos estudantes ocupados, para pregar as fotografias. Fizemos murais para cada autor (Dani, Fernando, Ivan, Larissa, Luciano e Marcos) e também aproveitamos para expor as fotos que nós duas fizemos em nossa primeira visita.

Reencontramos alguns alunos e conhecemos outros nesta tarde. Como sempre, fomos acolhidas com carinho e gentileza. Foi bom estar novamente na escola e poder conversar um pouco mais com os estudantes. Observamos que o espaço ocupado segue organizado e limpo. Ações que interessam aos estudantes continuam sendo realizadas (quando chegamos, logo após o almoço, uma oficina de capoeira estava sendo oferecida). A cada ocupação visitada, a certeza de que esses jovens têm o poder de transformar a realidade na qual vivem.

28.11.2016 | Roda de conversa “Professor, cuide de você!”

por Doan Ricardo Cruz

No dia 28 de novembro de 2016, a nossa rede promoveu uma roda de conversa sobre o tema “Professor, cuide de você!”, integrando os professores da Escola Estadual Padre Rogério Abdala, em Monsenhor Paulo, município do sul de Minas Gerais. A atividade promoveu reflexões sobre a saúde do professor, o cuidado de si e autoconhecimento como estratégias para melhorar a qualidade de vida.

Curiosamente, promover essa atividade foi um desafio considerando a proximidade do fim do ano letivo e as provas finais e, por isso, os professores se mostravam bastante cansados. E justamente esse estresse acumulado foi o ponto de partida para começarmos a problematizar o cotidiano atarefado e os sintomas de mal-estar que afetam os docentes em geral. Nós, frequentemente, lavamos as mãos, usamos roupas limpas, mas nos esquecemos de olhar para dentro de nós mesmos e fazer a higiene de pensamentos ruins ou sentimentos negativos e seus sintomas psicossomáticos.

A segunda parte da roda de conversa projetou alguns slides com os pôsteres da campanha “Professor, cuide de você”, utilizando-os como ponto de partida para pensamos estratégias para filtrar estímulos estressantes, promover a atenção corporal, proteger a emoção, incentivar a alimentação saudável e a prática de exercícios físicos. A ideia é: tenha um caso de amor com a sua saúde e a sua qualidade de vida!

Para finalizar, a conversa ressaltou a importância de atividades de autoconhecimento e meditação como formas de interpretar as experiências de vida relevantes e como ferramenta para transferir o foco da atenção para perspectivas mais positivas. Além disso, reforçamos a importância de reconstruir sentidos positivos para a profissão docente (problematizando os discursos que transformam o professor em um “coitado”), pois ser professor é a escolha de um fantástico campo de ação no mundo, o qual afeta e transforma pessoas de uma maneira única.

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Professores que participaram da oficina | Foto do Doan

25.11.2016 | Nós no Ocupa Padre Afonso: roda de conversa e sessão de fotos sobre arquitetura escolar

por Elô Lebourg

No dia 25 de novembro de 2016, nossa rede participou de uma ação na ocupação da Escola Estadual Padre Afonso Lemos, em Cachoeira do Campo, distrito de Ouro Preto.

Dessa vez, Fernanda Tropia e eu preparamos uma proposta diferente para oferecer aos alunos (nas outras escolas ocupadas nas quais a rede esteve, em outubro e novembro de 2016, exibimos o documentário “Acabou a paz! Isto aqui vai virar o Chile” seguido de uma roda de conversa sobre as ocupações). No Padre Afonso, a partir de um texto escrito por mim para a rede Professores transformadores, conversamos com os estudantes sobre arquitetura escolar. O objetivo era iniciar uma reflexão sobre a relação entre a delimitação do espaço e a expectativa de comportamento dos seus usuários visando a uma determinada concepção educativa disciplinadora. Ao mesmo tempo, procurarmos perceber, a partir do olhar dos estudantes como, durante as ocupações, essa relação havia se alterado.

Depois disso, com o apoio do coletivo Fotógrafos em Ouro Preto, que nos cedeu, gentilmente, câmeras fotográficas, as emprestamos aos estudantes para que pudessem fotografar aquilo que, para eles, fosse mais significativo na escola. Assim, os jovens participantes da ação se espalharam pela área da instituição procurando retratar o que, para cada um deles, era marcante: cartazes, o jardim, a horta, as salas ocupadas, a cozinha, os violões, as grades… Alguns relataram a dificuldade de fazer essa seleção, outros comentaram que, tão logo o desafio foi proposto, já tinham ideia do que fotografariam – o resultado pode ser visto abaixo.

Encerramos nossa participação combinando um retorno à escola na semana seguinte para fazer uma exposição com as fotos e seguirmos aprendendo uns com os outros.

Este foi um encontro com jovens que nos encheram especialmente de esperança. Eles estão ocupando sua escola, vivendo os desafios diários de uma situação totalmente nova. De muitas formas, a rotina da ocupação deixa esses estudantes expostos e sensíveis. Há muito julgamento e muita crítica. O contato com eles, ainda assim, foi leve e bonito. Aprendemos com eles sobre resistência e luta, sobre democracia e organização, sobre a importância dos nossos sonhos.

Fotos da Dani

Fotos do Fernando

Fotos do Ivan

Fotos da Larissa

Fotos do Luciano

Fotos do Marcos

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Nossa conversa | Fotos do William Oliveira

21.11.2016 | Tecendo sentidos: rodas de conversa sobre prática docente em situações de deslocamento [Último encontro]

por Elô Lebourg

com a colaboração de Daiane Mendes e Solange Mol

No dia 21 de novembro de 2016, concluímos o projeto “Tecendo sentidos: rodas de conversa sobre prática docente em situações de deslocamento”, cujo objetivo foi desenvolver um espaço de fala para o grupo de professores da Escola Municipal Bento Rodrigues, atingido pelo rompimento da barragem de rejeitos e a consequente destruição do distrito.

Nesta sexta roda, a equipe proponente contou, além de mim, com a participação de Daiane Mendes e de Solange Mol. Dividido em duas partes, esse encontro procurou sintetizar a experiência dos participantes nas rodas de conversa ao longo do ano.

A primeira atividade envolveu uma reflexão e conversa sobre a pergunta que Mafalda faz à sua professora em um quadrinho de Quino: Para onde vão os nossos silêncios quando deixamos de dizer o que sentimos? Procuramos perceber, com isso, a importância de dizermos o que sentimos, pois esse exercício de fala/escuta é revelador e provoca insights fundamentais para o desenvolvimento do trabalho do professor.

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No segundo momento, cada participante falou sobre o que foi mais significativo pra si ao longo do projeto. Ao relembrar cada encontro, as atividades e o que foi dito e escutado ao longo desses meses, percebemos o quanto a proposta fez sentido e foi importante para auxiliar no enfrentamento deste primeiro ano pós-tragédia.

A experiência com o projeto “Tecendo sentidos” foi muito significativa para nós, da rede Professores transformadores, que investimos nosso tempo estudando e preparando cada ação com cuidado. O desafio de produzir uma metodologia que fizesse sentido num contexto tão complexo como o desses professores foi sendo superado pouco a pouco, na medida em que fomos percebendo que passamos a pertencer ao grupo que fomos ajudar e que, mês a mês, estávamos mais integrados uns aos outros. Ao longo do ano, trocamos experiências, falamos de dores, de superação. A cada fala, escuta, silêncio, choro e riso construímos, juntos, relações de companheirismo e troca. Ter coragem para, mensalmente, ir à escola afetada por uma tragédia tão complexa nos mostrou o quanto, em rede, somos fortes. Diante dos desafios ou problemas que enfrentamos para dar continuidade à ação, fomos percebendo a importância do nosso trabalho, da nossa parceria e dos nossos objetivos. Deu certo.

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Nosso grupo, um só

Daiane Mendes, integrante do grupo desde sua formação, sintetizou sua experiência da seguinte forma:

“Atuar no projeto Tecendo sentidos: Rodas de conversa sobre a prática docente em situações de deslocamentos foi, antes de tudo, acreditar que é possível construir uma proposta significativa para quem atua e para quem participa. Com o fechamento do ciclo (finalização da proposta), muitos aprendizados vão continuar a se perpetuar na nossa caminhada profissional, dentre eles que é possível construir atividades que possibilitem a construção do conhecimento, que a fala é um viés para a possível ressignificação e que o trabalho em equipe transforma. Finalizar não é colocar um fim, mas iniciar um novo começo! O começo que se abre nasce a partir dos aprendizados que ficam e que, de alguma forma, nos transformam e nos formam como profissionais e pessoas. Que a possibilidade de ressignificar os acontecimentos que nos afetam seja, antes de tudo, uma ponte para continuarmos seguindo com esperança!”

Solange Mol, que participou de três ações do projeto, relatou o seguinte:

“Meu período de participação no projeto Tecendo sentidos: rodas de conversa sobre a prática docente em situações de deslocamentos, desenvolvido na Escola Municipal Bento Rodrigues, foi curto, mas muito significativo! O que ficou de mais marcante, para mim, foi a importância do outro em nossa vida. As dificuldades ficam mais suaves quando são compartilhadas; já os êxitos se intensificam quando isso acontece. As rodas de conversa proporcionaram momentos de trocas ricas em um ano tão delicado na vida de cada participante. Trocas essas, muitas vezes, dolorosas, mas de incentivo, luta, desabafo, apoio e também de resistência. O encerramento dessa etapa faz refletir sobre o nosso protagonismo na transformação da nossa realidade: essa ação pode e deve começar por nós. O trabalho em equipe (muito além de uma mera divisão de tarefas) e a busca por boas parcerias podem ser boas maneiras de dar início à caminhada, mesmo diante de um cenário trágico como o ocorrido no dia 5 de novembro de 2015 e suas complicações.”

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Eu, Sol e Daiane – professoras transformadoras | Foto da Silvany Diniz

14.11.2016 | Nós no Ocupa Dom Pedro: exibição de documentário + roda de conversa

por Elô Lebourg

Dia 14 de novembro de 2016, segunda-feira à tarde. Em pleno feriado chuvoso, professores de nossa rede seguiram para a Escola Estadual Dom Pedro II, em Ouro Preto, para contribuir com a ocupação dos estudantes contra a PEC 55.

Dessa vez, o grupo que produziu a iniciativa foi formado por mim, Luana Freitas, Fernanda Tropia, Fernanda Costa e Rodolfo Rodrigues.

Exibimos, como já fizemos em outras ocupações, o documentário “Acabou a paz! Isto aqui vai virar o Chile”, um filme dirigido por Carlos Pronzato e que narra a luta dos estudantes secundaristas de São Paulo que ocuparam suas escolas em 2015, em protesto contra a proposta do governo estadual de reorganizar a estrutura de ensino.

Apesar do debate ter contado com um número diminuído de estudantes, estar com eles foi um aprendizado. Na conversa de ontem, ouvimos suas impressões sobre a rotina de ocupação da escola e sobre o apoio (ou a falta dele) dos professores e gestores da escola. Também discutimos sobre o ENEM e as possibilidades de contribuir com outras ocupações.

A cada ocupação, percebemos, ainda mais, o quanto esses jovens estão dispostos a lutar por uma Educação de qualidade e por um país melhor. Muitas vezes, falta-lhes maturidade e organização para dar conta de todas as responsabilidades resultantes da ocupação de uma escola. Mas eles seguem tentando, fazem o melhor que podem e isso é realmente transformador.

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Nossa equipe e os jovens a postos para assistirmos ao filme | Foto da Elô

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Começando a exibição | Foto da Fernanda Costa

05.11.2016 | A Escola Municipal Bento Rodrigues é…

por Elô Lebourg

Desde a semana seguinte à tragédia resultante do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, uma equipe de nossa rede começou a se mobilizar para auxiliar os professores da Escola Municipal Bento Rodrigues nos desafios e problemas que, certamente, surgiriam em sua prática docente.

Assim, elaboramos o projeto “Tecendo sentidos: rodas de conversa sobre prática docente em situações de deslocamento” e, por meio dele, temos ido à escola mensalmente para conversar com os professores desde o início de 2016.

No dia 5 de novembro de 2016, quando a tragédia completou seu primeiro ano, a comunidade escolar inaugurou a exposição do projeto “Bento Rodrigues: nossa história, nossa vida”, no Centro de Convenções de Mariana. Para colaborar com o evento, nossa equipe fez uma releitura da primeira atividade proposta nas rodas de conversa com os professores, mas, dessa vez, aberta a todos os participantes.

A ideia foi, então, fazer um ensaio fotográfico no qual professores, alunos, moradores do Bento e demais visitantes completassem a frase “A Escola Municipal Bento Rodrigues é…”.

A equipe composta, nesse evento, por mim, Michelle Ramos e Solange Mol, recebeu a ajuda das estudantes da UFOP, Tamiris Oliveira e Iasmin Gomes.

Participar da exposição foi emocionante e bonito. Poder contribuir, de alguma forma, com a luta da comunidade escolar acalenta a nossa própria dor diante de tanta tristeza. A cada foto, a certeza de que estamos fazendo um bom trabalho!

04.11.2016 | Nós no Ocupa Dom Silvério: exibição de documentário + roda de conversa

por Elô Lebourg

O convite para colaborarmos com a ocupação da Escola Estadual Dom Silvério, em Mariana-MG, surgiu por meio de nosso contato com os estudantes do Instituto de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Federal de Ouro Preto (ICHS/UFOP), também ocupados desde o dia 27 de outubro. Aceitamos a ideia prontamente e optamos por repetir a estratégia realizada no ICHS, dias atrás: exibição de filme seguida de roda de conversa!

O grupo que produziu esta iniciativa foi formado por mim e Isabela Piva, dos Professores transformadores, e por Douglas Bernardes, Tamiris Oliveira e Iasmin Gomes, do Ocupa ICHS.

O documentário que exibimos foi “Acabou a paz! Isto aqui vai virar o Chile”, um filme dirigido por Carlos Pronzato e que narra a luta dos estudantes secundaristas de São Paulo que ocuparam suas escolas em 2015, em protesto contra a proposta do governo estadual de reorganizar a estrutura de ensino.

Na tarde de sexta, 4 de novembro, nos reunimos, então, com os estudantes da escola e com alguns visitantes (oi, universitários do Ocupa UFFS Chapecó!), para assistir ao filme e conversar. Ouvir os estudantes de Ensino Médio foi muito bacana. Percebemos o quanto eles estão engajados e cientes de que o momento exige luta e reflexão. Eles também nos contaram sobre a rotina de ocupação da escola e sobre a importância do envolvimento dos familiares com o movimento. Também discutimos sobre as questões que envolviam a não realização do ENEM, no final de semana passado, em função da escola estar ocupada. O papel da mídia na divulgação das informações sobre as escolas ocupadas foi outro tema debatido pelos secundaristas.

Foram falas maduras as desses estudantes. Percebemos neles uma capacidade de mobilização e de percepção da realidade que, muitas vezes, acreditamos, equivocadamente, que os jovens não possuem. Assim como os estudantes retratados no documentário, os estudantes que estão ocupando suas escolas, hoje, contra a PEC 55 (antiga PEC 241) não são “rebeldes sem causa”. É por isso que seguiremos dando todo nosso apoio à causa e a cada escola que pudermos ajudar.

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Exibindo o filme no Ocupa Dom Silvério | Foto da Elô Lebourg

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Isabela Piva, Elô Lebourg e Douglas Bernardes no bate-papo com os participantes | Foto da Tamiris Oliveira

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Isabela Piva e parte dos participantes | Foto da Elô Lebourg

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Elô e Douglas Bernardes no bate-papo | Foto da Isabela Piva